70 horas em Bonito por Carlos Henrique

O ponto que vai definir o sucesso ou o fracasso de sua viagem à cidade de águas transparentes e natureza exuberante é a escolha dos passeios. Nada melhor do que um TripAdvisor e blogs de viagens pra te auxiliarem nessa escolha.

No nosso caso, por exemplo, a minha companheira não sabe nadar e usa lentes de contato. Desse modo, ela não pode fazer atividades como mergulho ou rapel, onde a água espirra no rosto. Também não somos afeitos a quadriciclo, passeios a cavalo ou jipe. Escolhemos, portanto, uma trilha moderada com cachoeiras, boia cross, uma trilha leve para contemplação, duas flutuações e a visita a um projeto.

 

 

No dia 30, dirigimo-nos ao aeroporto de Campinas de onde sai vôo direto ao aeroporto de Bonito. São duas horas e meia aproximadamente de viagem. Quando se chega a Bonito, ainda se perde muito tempo porque as malditas agências – gananciosas que só – te pegam no aeroporto e não te deixam no hotel: elas te levam pra agência pra você pegar os vouchers dos passeios e pagar a parte que falta.

Não, meu caro… Não adianta! Todas fazem isso. Infelizmente. Desse modo, só tivemos tempo pro Projeto Jiboia Noturno e jantarmos no Restaurante Casa do João, o qual recomendamos.

 

No dia 31 fizemos a trilha para a Cachoeira Boca da Onça, que era um passeio que levava um dia inteiro. Por isso, só compramos este passeio pra esse dia. Foi um erro!!!

Chegamos à Boca da Onça bem cedo e o passeio duraria 4 horas. Nossa trilha começou às 8h e terminou por volta de 12:30h… 13h. Almoçamos e às 13:30h estávamos livres. Queríamos aproveitar mais o dia. Conseguimos falar com a Agência apenas às 15h, porém, eles disseram que não tinha como nos encaixar em passeio nenhum e que geralmente as pessoas levam um dia na Boca da Onça. Perdemos aí 6h que poderiam ter sido usadas em passeio.

 

Na noite de réveillon a cidade estava bem cheia, mas isso não justifica a bagunça e a confusão nos atendimentos. Nós, acostumados com Rio-São Paulo… Com Praças de Alimentação abarrotadas… Com filas nos Outbacks da vida, não nos assustamos com gente: mas com atendimento enrolado, sem condições. Conseguimos, por sorte, uma mesinha improvisada na Praça Principal da Cidade.

Na noite seguinte, simplesmente não conseguimos comer, pois num restaurante chamado “Espetto” alguma coisa pedimos um espeto e esperamos por UMA HORA, isso após termos procurado restaurantes por UMA HORA. Apenas após reclamação eles disseram que estava demorando mais de uma hora pra sair o pedido.

 

 

No dia 1 de janeiro, tínhamos a trilha à Gruta do Lago Azul prevista para as 8hs da manhã.

Ocorre que choveu bastante e com chuva a gruta não abre. A justificativa? Não tem degrau antiderrapante e, por isso, é extremamente arriscado. Um lugar que cobra R$60,00 por pessoa pra visitação, não colocou ainda degrau antiderrapante e, por isso, nosso passeio foi cancelado, o dinheiro devolvido, e ficou por isso mesmo, tendo em vista que não tinha mais como nos realocar até o nosso prazo de volta (dia 2).

Tem coisas que não são meramente frustrantes: são revoltantes. Essa foi uma delas.

Como toda chuva de verão tem seu fim rápido, às 10h o tempo já estava bom e fomos ao Aquário Natural fazer flutuação. Foi bem tranquilo e não foi tão diversificado quanto nos disseram. Porém, deu pra aprender a flutuar, o que fizemos com relativa facilidade no dia seguinte na Nascente Azul.

E eis que… Mais uma lacuna temporal absurda! Terminamos a flutuação ao meio dia e o nosso bóia cross estava marcado para apenas 16h. E sem possibilidade nenhuma de adiantarmos. Fizemos o BoiaCross. Saímos com a impressão de que este passeio era dispensável, pois não vale o quanto pesa. É um boiacross comum, que pode ser feito em Brotas-SP sem nenhum prejuízo.

 

 

No dia 2 fizemos flutuação de manhã bem cedo, às 8h. Fomos o primeiro grupo. A flutuação na nascente azul foi excelente, linda! Foi o nosso segundo melhor passeio, perdendo apenas pra Cachoeira Boca da Onça.

Saímos de lá direto pro Aeroporto. Nosso vôo de volta pra Campinas era 12:25h. Não tivemos tempo de almoçar: apenas um biscoito e refrigerante no aeroporto.

 

De tudo, ficou a saborosa lembrança do contato com a água cristalina, com o ar fresco, da cordialidade dos guias turísticos, do buffet de almoço maravilhoso no Aquário Natural e na Cachoeira Boca da Onça, da experiência de segurar uma jiboia e das histórias hilárias do nosso motorista particular, Élber.

De ponto negativo, ficou a incompetência da infraestrutura da cidade, decorrente de seus restaurantes bagunçados, do atendimento precário, das agências desorganizadas, da ausência de agências de bancos super utilizados pela população flutuante, pela Secretaria de Turismo patética e irresponsável no caso da escada da Gruta do Lago Azul (coisa que os moradores, inclusive, reclamam!) e das lojas caríssimas e paupérrimas de opção.

 

É um lugar que teria tudo pra ser perfeito se não fosse a incompetência humana que faz tudo pra atrasar a vida do turista. Bonito tem muito a aprender com Foz do Iguaçu.

 

Carlos Henrique de Santana Moreira

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